Data de Fundação: 09 de agosto de 1829
Data da Emancipação: 17 de março de 1883
Condição de Estância Turística: 1978
Personagem Central: Simão de Toledo Pizza
Slogan: Onde ainda se Vive.
Origem do nome do Município: Devido à Padroeira da Cidade: Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Tudo começa entre o início do séc. XVI até 1738 quando os Índios carajás, que habitavam as bacias do Rio do Peixe foram expulsos pelos bandeirantes, afastando-se para regiões mais distantes. Naquela época teve início a colonização por Simão de Toledo Pizza, que recebeu uma sesmaria (lote de terra abandonado que os Reis de Portugal concediam a quem dispusesse a cultivá-lo), dando origem à Campanha de Toledo.

Em meados do ano de 1738 esta passou a fazer parte do chamado sertão de Bragança, cercado pelas matas virgens surge um bairro pertencente aquela Comarca cuja denominação seria Bairro do Rio do Peixe. No começo do séc. XVIII a população deste bairro era de 922 pessoas.
Este bairro distava da sede da Comarca mais de Sete léguas, seus habitantes, religiosos como eram, resolveram edificar uma Capelinha a qual foi colocada sob a proteção de Nossa Senhora do Socorro. Esta igreja foi edificada em terras do lavrador Pedro da Silva, que fez a doação da mesma, e que ainda hoje se acha ocupada pela parte central da cidade.Os lavradores das partes mais distantes, como era natural, começaram a edificar algumas modestas casinhas ao redor da Capela.

Foi então que o Capitão Roque de Oliveira Dorta, doador da imagem da Padroeira e idealizador da construção da mesma, em um momento de clarividência, viu os benefícios que iria trazer ao bairro aquela Capelinha. E depois se entender com os demais moradores influentes do Bairro, dirigiu ao Bispo da Imperial Cidade de São Paulo, uma petição na qual fazia ver ao digno prelado a situação crítica em que se achava a população do Bairro, distante da sede da Paróquia, longe da religião, com muitas dificuldades nas realizações de Batizados, Casamentos e Sepultamentos, pelo que suplicavam que se providenciasse a dita Capela em Capela Curada, nomeando um sacerdote para dirigir os destinos espirituais do novo núcleo de população.
Outra petição, que seguira juntamente com a primeira suplicava a colocação da pia batismal na mesma Capela. O bispo de São Paulo Dom Manoel Gonçalves de Mello, condoeu-se da sorte daquele punhado de seus diocesanos, e despachou favoravelmente as mesmas.

Estava fundada a Capela Curada de Nossa Senhora do Socorro do Rio do Peixe, da Vila Nova de Bragança. Em 22 de Julho de 1829 o Bairro foi elevado a Curato e a 09 de Agosto do mesmo ano foram celebrados os ofícios divinos em terras do Rio do Peixe pelo Padre José Jacinto Pereira, em meio ao júbilo geral, erigia a Pia Batismal na nova Igreja, celebrando dez batizados.
Entre as primeiras pessoas que edificaram o patrimônio da Capela de Nossa Senhora do Socorro do Rio do Peixe, achavam-se: o Capitão Roque de Oliveira Dorta, Pedro da Silva, Francisco de Oliveira Preto, Floriano Gomes de Azevedo, Alferes José Pires de Oliveira, Francisco Vaz de Lima, Antonio José do Espírito Santo, João Xavier Ferreira. Porém a 21 de Maio de 1835, seis anos apenas decorridos depois da fundação de Socorro, falece o grande líder de então, o Capitão Roque de Oliveira Dorta, homem este muito religioso e temente a Deus que com certeza deve ter levado em conta tudo quanto fizera para o bem da religião e para o bem estar de seus conterrâneos. Com o falecimento do Capitão, assumiu a direção e os destinos da nascente povoação, o cidadão Floriano Gomes de Azevedo, que empregou todos os seus esforços em prol do progresso desta terra. Foi ele também o primeiro comerciante do povoado, abrindo ali uma loja de fazendas e armarinho.

Empregando uma atividade de verdadeiro apóstolo do progresso, da pequena povoação, Floriano Gomes de Azevedo não se descuidava um momento de procurar, por todos os meios se insinuar na estima das pessoas influentes na Vila de Bragança por meio das quais conseguiu que pela lei provincial nº 17 de 28 de Fevereiro de 1838, que o Bairro fosse elevado a categoria de Freguesia, sendo então Floriano Gomes de Azevedo nomeado para o cargo de sub-delegado de polícia. Pela Lei Providencial nº 2 de 24 de Fevereiro de 1843 foi criado uma escola para o sexo masculino, na Freguesia de Nossa Senhora do Socorro do Rio do Peixe, sendo nomeado para rege-la Rufino Gonçalves de Andrade.
Aumentavam cada vez mais as casas, abriam-se novas casas de comércio e começavam a aparecer os primeiros estrangeiros, como o italiano José Giudice, que viveu muito anos nesta Freguesia onde estabeleceu-se como funileiro.

Em 1870 seguiu para Bragança uma comissão de pessoas influentes da freguesia, que foram pedir aos dirigentes da política desta zona, que obtivessem os poderes competentes para a elevação da Freguesia para a categoria de Vila, voltando com a promessa formal de que esse pedido seria tomado em consideração. Essa promessa foi cumprida poucos meses depois.

Em fins de março de 1871 entre as aclamações dos socorrenses, era levado a seu conhecimento que a lei provincial nº 29 de 24 do mesmo mês, havia elevado aquele local de freguesia a categoria de Vila.
E em 14 de janeiro de 1873 realizou-se a instalação solene da Vila de Socorro, tendo tomado posse por essa ocasião os primeiros vereadores eleitos, que foram os seguintes: Tenente Floriano Barbosa de Azevedo, João Baptista de Oliveira Cintra, Antonio Manuel de Araújo, Basílio Pares de Oliveira, Francisco Gomes de Azevedo, Antonio Luis de Souza Pinto e Manuel Justino de Souza.
Sob a gestão dessa Câmara muitos foram os melhoramentos trazidos para esta Vila, uma delas, talvez a mais importante foi a construção do prédio onde atualmente funciona a Prefeitura Municipal, e que naquela época servia como Câmara Municipal na parte superior e como cadeia no pavimento inferior. Também foi construída uma nova Capela para substituir a antiga e se tornar a Igreja matriz provisória daquela época, esta Igreja batizada de Capela do Senhor Bom Jesus. Em 1873, pela lei provincial nº 78, foi esta vila desmembrada da comarca de Bragança Paulista, passando a pertencer então à comarca da cidade de Amparo.

Porém os Bragantinos não concordando com esta lei, que lhes retalhava em um de seus melhores florões, empregaram todos os esforços para conseguirem com que a Vila voltasse para a Comarca de Bragança, o que acabou acontecendo com a lei nº 159, de 30 de Abril de 1880, a qual determinou que a Vila de Socorro voltasse novamente a fazer parte daquela Comarca.
Os políticos Amparenses não se deram por vencidos, e conseguiram na data de 30 de Março de 1882 que a Vila fosse novamente incorporada a sua Comarca. Mas, no dia 17 de Março de 1883, pela lei Provincial nº 20, foi a Vila de Socorro elevada à categoria de Cidade.

Em setembro de 1883, achando-se terminada a capela da Igreja Matriz, o Padre Saverio Marcicano, então vigário da paróquia, benzeu a Igreja e ali eram celebrados os atos religiosos da paróquia.
Em 1884, foi criado o lugar de Juiz Municipal para o termo de Socorro, nesse mesmo ano foi nomeado como juiz o Dr. Bartolomeu Antunes de Oliveira Nery para exercer o cargo, o qual foi empossado em 3 de fevereiro de 1885. Em 1889 é criada a comarca de Socorro, a qual ainda no primeiro ano é elevada a primeira entrância. De 1839 a 1930 Socorro teve 8 câmaras administrativas, a primeira por nomeação e as demais por eleição. No ano de 1930 a câmara foi dissolvida pelo movimento revolucionário.
Quando estourou a revolução de 1932, os socorrenses fizeram-se presentes na defesa dos ideais democráticos, com sua participação no batalhão de Voluntários “32 de Maio”, sob o comando do Capitão Benedito de Castro Oliveira, formado por jovens de Socorro, Amparo e Americana. Os de Socorro pertenciam a 1º Companhia de Fuzileiros sob o comando do oficial Geraldo Theodoro da Silva.

Passada a Revolução de 32, mais propriamente no ano de 1945 Socorro passa a ser considerada Prefeitura Sanitária, e posteriormente, em 1946 passa a ser Estância Sanitária. Finalmente em 1978 a cidade de Socorro recebe o título de Estância Turística.

Personagens históricos
Dr. João Batista Gomes Ferraz – Vereador, Prefeito, Deputado Estadual (o primeiro socorrense a ocupar esse cargo), Deputado Federal e membro da comissão que erigiu o Mausoléu do Soldado Constitucionalista, no Ibirapuera em São Paulo, ocupando ainda diversos cargos públicos durante a sua vida.

Poeta Lino Guedes – Falecido em 1951, o socorrense viveu aqui sua infância. Filho de escrava (preta Benedita, da casa do Cel. Olímpio que, por sua bondade, vivia em liberdade), era ele uma gentileza a toda prova. Suas primeiras letras aprendeu em Socorro e a escola normal fez em Campinas, onde escreveu para o Diário e o Correio Popular. Mudou-se para São Paulo e tornou-se um poeta. Canta o que sente. Escreveu muitos livros de versos, entre eles: Sorrisos do Cativeiro, Urucungo, O canto do Cisne Negro, etc…