O engenheiro Augusto Carlos de Vasconcelos, formado pela Escola Politécnica, nasceu no Rio de Janeiro em 1922 e, a partir dos 10 anos, morou em Santos e em São Paulo. No Magistério Superior foi Professor Assistente da Escola Politécnica e Professor Titular da Escola de Engenharia Makenzie. Em seu livro “O Concreto no Brasil” fala da ponte construída em Socorro, ressaltando o pioneirismo dessa obra, em concreto, no estado de São Paulo.

No que se refere a pontes, a primeira obra em São Paulo, devidamente documentada é descrita na Revista Polytechnica n.º 31/32 (17) de 1910, em artigo intitulado “Concreto Armado em Socorro”. O engenheiro GUILHERME E. WINTER, autor do projeto junto com ERNESTO CHAGAS, descreve a ponte construída pela Cia. Mogyana de Estradas de Ferro na Av. Pereira Rebouças sobre o Ribeirão dos Machados, com 28m de comprimento. Esse ribeirão possui normalmente apenas 2m de largura, podendo atingir em época de chuvas até 20m. Daí a necessidade da ponte com 28m.

A Mogyana havia construído a estação terminal um pouco afastada do centro da cidade para evitar despesas com desapropriações com a planejada extensão da linha férrea. Para possibilitar o acesso à estação, projetou e construiu por sua conta, com seus próprios funcionários, a ponte que se reproduz na figura 11, ainda existente e em perfeito estado de conservação. Sendo esta uma obra pioneira (**), é natural que tenha havido o máximo cuidado na aplicação do concreto, seguindo as mais recentes especificações e recomendações estrangeiras da época. Por isso repetimos as informações que constam de a respeito da dosagem e aplicação do concreto: feito com pedregulhos retirados do rio, com 250 kg de cimento por m3, de traço 1:3:6 e consistência “farofa”; foi lançado nas formas dos arcos de 15/40 cm em pequenos baldes e socado com um macête “até lacrimejar”. Percebe-se daí a perfeição da aplicação do concreto e portanto o motivo de conservação perfeita da obra confirmando o princípio hoje universalmente aceito de que “a melhor proteção da armadura contra a corrosão é um concreto bem feito”.

Essa obra foi armada com vergalhões de aço, classificando-se portanto como concreto armado com o sentido que hoje se lhe dá. A laje do tabuleiro entretanto, com 3 m de vão, é apoiada no fecho dos arcos (9 ao todo, um em cada metro de largura do tabuleiro) e na pilastra, sendo armada com trilhos usados.

Foi inaugurada em 3/5/1910, (21) pág. 133
Transcrito do Livro “O Concreto no Brasil”, volume 1, 2ª edição (PINI), em 1992.